terça-feira, agosto 31, 2004  

Feliz é o atleta brasileiro
Os americanos viram as Olimpíadas com um tédio relinchante. É triste ver um povo se emocionar tão pouco com um evento desse tipo. Enquanto o Brasil tem um herói a cada medalha, o infeliz do atleta americano só vira estrela a partir do terceiro pódio. Mas nem enchendo o rabo de medalhas o coitado vai virar herói. No máximo vira “sex-symbol”.

Fazer herói é coisa de país subdesenvolvido e, modéstia à parte, subdesenvolvidos somos nós. O Michael Phelps pode ganhar quantas medalhas ele quiser, mas nunca vai sentir a emoção de ser endeusado pela turba eufórica ao desfilar num carro do corpo de bombeiros. Isso sim é que é reconhecimento.

Desde que acabaram com a União Soviética, para os americanos, as Olimpíadas viraram formalidade. É uma coisa que eles tem que fazer antes de trazer as medalhas pra casa. Aqui neguinho ganha tanto ouro que não tem nem graça. Tem medalhista que nem aparece no jornal.

Apesar do tédio, não dá pra dizer que eles não acompanharam os jogos. Acompanharam sim, mas sempre com algumas horas de atraso em relação ao resto do mundo. A festa de abertura, por exemplo, passou 8 horas depois de ter acontecido. E muita gente achava que assistia em tempo real, na expectativa de ver um atentado terrorista acontecendo a qualquer momento.

Os americanos não gritam gol!
A programação foi feita de maneira a garantir que nenhum evento fosse transmitido ao vivo. Era pior que "Vale a pena ver de novo", porque ninguém tinha visto a novela da primeira vez, mas todo mundo já sabia como a estória acabava. Pra ver a coisa acontecendo mesmo tinha que ligar na televisão mexicana.

O menor atraso que eu vi foi no jogo Brasil e Estados Unidos, na decisão do futebol semi-masculino (como diria o Mario). Enquanto os mexicanos passavam ao vivo a consumação da vitória ianque, a NBC, dona dos direitos de transmissão nos EUA, mostrava o final do primeiro tempo. Parece que eles tomaram o cuidado de passar com o mínimo de atraso possível. Apenas o suficiente para acabar com a emoção da partida.

Mas o pior de tudo era a narração: as americanas tiraram o ouro das pernas peludas de nossas meninas sem ouvir um grito de gol sequer. Os narradores americanos não gritam gol! O gol que trazia a vitória e o ouro olímpico foi anunciado com menos empolgação do que o Galvão Bueno narrando gol da França na final da Copa de 98. Não sei mais o que dizer. Enfim.


Atendendo a pedidos, a Virna, nossa heroína quarto-lugar

posted by Sergio | 2:03 AM
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